CHENIN BLANC VELHAS VINHAS 2025

CHENIN BLANC VELHAS VINHAS 2025

NOTA DO VINHATEIRO

Tudo que tínhamos a dizer sobre o vinhedo (e mais um pouco) já foi dito nas resenhas sobre o Gamay Velhas Vinhas 2023 e o Gamay & Cabernet-Franc Velhas Vinhas 2023. Esta chenin blanc foi plantada em 1978 na Campanha Gaúcha, por empreendedores norte-americanos. As mudas foram trazidas da Califórnia. Por tratar-se de uma casta que aporta bastante acidez, toda a parcela de chenin é hoje misturada a outras uvas brancas para a produção de espumantes. Os proprietários do vinhedo não usam esta uva para vinhos tranquilos, o que torna nosso Chenin Blanc Velhas Vinhas 2025 um tanto inédito.

No Vale do Loire a chenin blanc dá origem aos vinhos de sobremesa da prestigiosa apelação Quarts de Chaume Grand Cru, tidos entre os melhores brancos do mundo. E concordamos: esses vinhos são incríveis. Embora nosso chenin seja um branco seco, seu aroma intenso e tiolizado remete aos Quarts de Chaume. O palato — ainda muito jovem — confirma a potência dos aromas: acidez natural eletrizante; muito nervo; muita tensão. Um ataque pungente no palato, austero e gastronômico, faz do Chenin Blanc Velhas Vinhas 2025 um vinho enérgico, diferente dos brancos macios do mainstream: este chenin é tudo menos um “branco de piscina”. Ocorre que nossos vinhos são feitos apenas com dois ingredientes: uvas e SO2. Isso faz toda a diferença em relação aos brancos mais comerciais do mercado, que em geral contêm aditivos para amaciar a textura ao palato, leveduras adicionadas para gerar de aromas específicos, filtragem cerrada que pode arrastar parte da complexidade expressiva, acidificação artificial e uma série de outros tratamentos e correções. Os brancos comerciais padronizados são os vinhos mais tecnológicos do mercado, mas os nossos são diferentes. Não têm maquiagem, podendo eventualmente parecer um pouco mais rústicos, de cor mais dourada, menos redondos ao palato. Consumir vinhos mais puros deve compensar as pequenas diferenças que possam — eventualmente — existir entre uma vinicultura de baixa intervenção e aquela mais comum, convencional ou tecnológica. O “amaciamento” ou o “arredondamento” artificial dos vinhos comerciais é um dos mantras da enologia moderna, quer por adição de manoproteínas, quer por adição de goma arábica. No tipo de vinicultura que praticamos, a idéia é reduzir ao máximo a distância entre o cacho e a taça. Acreditamos que menos intervenção é sinônimo de mais caráter e autenticidade.

É um prazer compartilhar mais um vinho representativo do vinhedo mais antigo do Brasil, mas é importante lembrar que trata-se aqui de um ensaio experimental que não terá continuidade. O vinhedo não nos pertence e seus proprietários não vendem as uvas, esta foi uma exceção, uma ação de natureza institucional. Fazendo uma analogia com a música, é como se os proprietários do vinhedo fossem os autores da letra, e nós, os intérpretes de uma nova versão. Tivemos autorização para interpretar essa canção por uma breve temporada, dando aos interessados a oportunidade de conhecer uma interpretação artesanal, com mínima intervenção, de uvas que normalmente destinam- se a grandes produções em escala industrial. Ao longo de nossos 20 anos de história, comprar uvas de outras vinícolas ou de viticultores que fornecem para várias vinícolas foi prática constante. Quase todos os pequenos produtores artesanais compram uvas de vinícolas maiores nos primeiros anos. Alguns optam por não investir jamais num vinhedo próprio, e outros, que possuem vinhedo, eventualmente compram variedades diferentes de outras vinícolas ou viticultores. Isso permite ao enófilo observar a enorme diferença entre vinhos feitos com as mesmas uvas, de um mesmo vinhedo, por diferentes mãos, conceitos e técnicas.

Via de regra os vinhos brancos devem ser consumidos jovens, mas este Chenin Blanc Velhas Vinhas 2025 pode ser guardado por alguns anos, se assim desejarem. Sempre lembrando que, no caso das maioria dos brancos clássicos, não existe um ganho necessariamente positivo em guardas muito longas. Existe, sim, uma transformação, principalmente em relação à perda do caráter frutado. Um bom branco não vai ser necessariamente melhor envelhecendo. Vai ser diferente. Em vinicultura de baixa intervenção, essa transformação pode ser mais intensa que em vinicultura convencional.

 

 

FICHA TÉCNICA

Localidade do vinhedo: Sant’Ana do Livramento – RS – Brasil
Região do vinhedo: Campanha Gaúcha
Altitude: 180 m
Uva: Chenin Blanc
Teor Alcoólico: 12,5%
Quantidade produzida: 925 garrafas
Colheita: manual em caixas de 15 Kg
Desengace: cachos desgranados manualmente
Quebra das bagas: pisa humana / prensagem imediata 
Maceração pelicular: não
Particularidades de vinificação: SLF por 7 dias a 4°C
Desborra pré-fermentativa: sim
Controle de temperatura em fermentação: sim
SO2 adicionado: sim
Tempo em barrica: sem passagem por barricas
SO2 total pós-engarrafamento: 94 mg/L
SO2 total permitido por lei no Brasil: 300 mg/L